FARO, Espaço de diálogo cidade/público: Identificação e interpretação.

Faro é a cidade escolhida para a intervenção artística, capital do Algarve, encontra-se ligada à ria formosa, por onde chegaram sucessivos povos, Tartessos, Fenícios, Gregos, Celtas, Cartagineses, Romanos, Visigodos, Bizantinos, Árabes, Normandos, etc. Em tempos pré-históricos foi uma aldeia de pescadores, depois sofreu o domínio dos mouros, onde foi saqueada e incendiada pelos ingleses no século XVI acabando por ser danificada em 1955, ao sofrer com o grande terramoto. Após reconstrução surgiram construções arquitectónicas como o Paço Episcopal (séc. XVIII), Sé catedral ou o Arco da Vila construído no local de entrada de um castelo medieval.

O centro histórico, área antiga da cidade conhecida por “Vila-adentro”, é rodeado pela muralha, antiga linha fortificada conhecida como Cerca Seiscentista, sendo parte muçulmana e outra portuguesa. As suas ruas estreitas albergam a Câmara Municipal e alguns serviços municipais, casas baixas e típicas, calçada portuguesa e recantos de história. Ao deslocar-nos para o exterior da muralha que envolve este pequeno aglomerado urbano, sentimos que nos confrontamos com espaços vazios e adormecidos.

Ao caminharmos pelo percurso ao cais, vamos apreciar a ria formosa, a passagem do comboio, ligação Faro - Vila Real de Santo António, comboio que transporta diariamente os passageiros transeuntes que acompanham a ria no seu percurso. Nesse mesmo cais podemos usufruir de um lugar de refúgio e apreciar a ria, as gaivotas que por ali poisam e passam na procura de alimento. Mas a sua envolvente permanece ruidosa, esquecida pela passagem do tempo, apesar dos vários transeuntes usarem o espaço como lugar de passagem, e de ligação ao cais de embarque para os barcos que fazem a ligação entre as diferentes ilhas de Faro/Olhão, este espaço permanece abandonado. Skeaters usam-no para percorrer, outros como subterfúgio. Chega a noite e nada se passa e temos aqui uma das paisagens mais extraordinárias de Faro, mas adormecida. A cidade viva não passa aqui.

Após leitura da mobilidade do espaço através da percepção visual e conceptual, passamos à fase seguinte que será a acção – intervenção artística e recolha dos resultados a partir da participação do público. A demonstração da visibilidade em que o projecto convida o público a (re)visitar a cidade e (re)criar a cidade imaginária. A obra possibilita (re)ver a cidade.